Nessa de buscar apartamento, eu acabo conhecendo mais a cidade. Hoje mesmo, fui visitar três quartos. No primeiro, eu não iria poder usar o comedor (em português entende-se: sala de jantar). Cozinha minúscula, sem mesa... Onde eu iria comer? Deduzi que seria no quarto e pulei fora quando a dona me disse que morava ela, a filha e o neto de dois anos (e também não podia receber visitas). Me imaginei comendo no chão, uma criança chorando e meus amigos falando comigo por telefone de copinhos pela janela. Não, não. Os outros eram mais legais, mas os dois muito escuros. Precisariam sempre estar com as luzes acesas, mesmo de manhãzinha. Eu sou acostumada com a luz solar de Salvador, sou fotógrafa, luz pra mim é tudo, sou capaz de achar uma pessoa bonita só por causa da luz que está se refletindo nela. Sem luz, não! (acho que os engenheiros argentinos deveriam passar umas férias na Bahia, fica a dica).
Como estou procurando intensamente moradia, não pude ir aos lugares que quero conhecer, mas, em compensação, andei de metrô com cara de anos 20, subi em elevadores daqueles que você tem que correr a porta (bem antigos!), encontrei uma amiga brasileira, que só conhecia através de orkut, numa rua no meio do nada, totalmente por acaso, comi minhas primeiras empanadas portenhas e conheci Puerto Madero (e achei bem sem gracinha - prefiro o centro, com suas ruas cheias de gente, prédios antigos, vendedores peruanos, cafés e avenidas imensas).
E, que feliz, descobri um cinema de arte com filmes a dez pesos (algo como 5 reais). Vou no fim de semana ver " El secreto de tus ojos", uma película argentina que está bombando por aqui e no mundo, por conta da indicação ao oscar (e eu adoro o cinema argentino, quero ir num cinema mais com cara de cinema aqui. Só fui ao cinema do shopping - vi "Desde mi cielo", filme novo do Peter Jackson ("Senhor dos Anéis) e gostei muito. Me dei conta de que, aqui, o cinema vai ser meu companheiro quando eu sentir saudades - posso chorar no escurinho, mistura de emoção pelo fime e dos meus sentimentos de estar só e ao mesmo tempo acompanhada das minhas lembranças).
Amanhã, verei mais apartamentos. Ojalá (aqui se usa muito essa expressão) eu consiga.
sexta-feira, 5 de março de 2010
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