domingo, 4 de abril de 2010

Cambiando, de nuevo.

Aqui em Buenos Aires já tive muitos começos e recomeços. Esta semana terei mais um. Estou mudando de casa novamente. Eu estou alugando um quarto na casa de uma argentina e como já havia dito num post, o quarto é sim muito espaçoso e luminoso. O bairro, Recoleta, é bem legal, com parques agradáveis, espaços culturais interessantes e bem localizado. Mas... me sinto super sozinha aqui. A argentina que mora aqui não convive comigo. O apê é super pequeno então, ela sempre está no quarto dela, e eu no meu. Apesar de ter a mesma idade que a minha, ela nunca me chamou pra sair, pra ir ao cinema, nunca me indicou alguma coisa bacana pra ver. Não me trata mal, mas tampouco me trata bem. Isso me deixa péssima, somado ao fato de que aqui não tem televisão (utensílio indispensável quando você está morando só em outro país) e o pior: não posso receber visitas - isso sim é terrivelmente péssimo. Se eu achava que tinha vivenciado a solidão em Salvador, é porque realmente não tinha ido morar forar: aqui, estou experimentando a real sensação do que é estar sozinho. É duro e sofrido, mas acho que faz parte da experiência à qual eu me propus e com a qual eu estou aprendendo muito e revendo muitos pontos de vista.

Enfim, vou mudar. Andei esses últimos dias buscando apartamentos e encontrei um onde não vou alugar o quarto e sim dividir o aluguél do apê com a outra moradora, Ludmila, uma argentina que me pareceu ser boa gente. O apê é lindinho: tem dois quartos, uma sala, uma cozinha, banheiro, todos de tamanhos razoáveis, além dois gatos, Mou e Negrita. E tem uma varanda enooorme, com muitas plantas. E, o melhor de tudo: será minha casa. Meu apê. Onde poderei receber quem eu quiser. Já estou planejando um almoço de comemoração, reunindo os amigos que tenho aqui (brasileiros, argentinos, colombianos e alguns de outras partes do mundo): uma moqueca baiana, com muitos camarões e com o dendê que a mãe de Rebeca mandou pra ela. O meu quaro não tem muitos móveis: um colchão de casal, no chão, e um armário. Mas, vou procurar uma mesinha baratinha pra comprar e, aos poucos, vou arrumando meu novo mundo. Antes de ter móveis eu quero é estar feliz e ter a sensação de que tenho um lar, um espaço. Espero que dessa vez dê tudo certo (torçam por mim!).

Ontem, o clima mudou radicalmente: está fazendo um frio terrível para os meus padrões baianos. Não consegui nem sair ontem à noite, de tanto frio que estava sentindo. E hoje continuou a fazer frio e acho que, a partir de agora, o negócio vai piorar. Fui conhecer o Cementerio de la Recoleta, que é tipo o Campo Santo de Salvador, mas mais bonito e com mausoléos super grandiosos. Há um monte de heróis da independência enterrados lá, alguns ex-presidentes, pessoas de famílias ricas, mas, na verdade, o que todo mundo quer ver no cemitério é o túmulo de Evita Péron. Ficamos buscando um tempão o bendito túmulo, junto com outros brasileiros (hoje só tinha brasileiro no cemitério, todos ávidos em ver a "eu serei milhões" da Argentina). O cemitério é lindo, vale a visita.
Depois, voltinhas pela Recoleta, café com muffin, jazz anos 20 e frio, muito frio. Voltei pra casa escutando música e pensando nas muitas coisas que ainda estão por vir.

Um comentário:

  1. A solitude do corpo e da alma. Se perceber só, estar só, é uma experiência fantástica e assustadora. Pelo menos para mim. É olhar pra dentro o mesmo tanto que olho pra fora, é estar presente em mim, desconhecer certezas e me conhecer mais. Muitas vezes ao estar territorializada e cercada de pessoas intimas, amigos, familia, esquecemos um pouco de pensar em nós, nos nossos sentimento. Estar só representa para mim sentir mais profundamente todos esses sentimentos, até mesmo os sem sentido. Eu sou só.
    Lembre que você é muito amada, existe muito amor a sua volta, dentro e fora de você. Esse momento é muito especial para você minha amiga.
    E eu estou muito feliz por isso!
    Sinta, sinta, mais, sempre mais! Seja só também, exercite o silencio, o olhar, se encontre e se perca, se encontre e se perca!
    Te amo muito, minha irmã!
    com amor
    Mab

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