É, quase um mês sem escrever aqui, mas vivendo muitas coisas no tempo presente, aqui e agora.
Mudei de casa, depois de alguns contratempos e chateações na outra casa. Mas, agora, estou num lugar bacana, bairro lindo, vivendo pela primeira vez um outono de verdade.
Depois dos primeiros meses estando mais triste do que feliz, por motivos diversos (saudades, mudanças, términos de relações, solidão, estranhezas), agora posso dizer que estou enamorada por Buenos Aires. Cada vez que saio por aqui, meu coração se enche de alegria em estar aqui e poder vivenciar todas as experiências, boas e ruins, que aparecem quando se está num país que não é o nosso.
Minha mãe esteve aqui comigo, por uns cinco dias e foi muito bom. Me trouxe carinho de mãe e comidinhas de Salvador, incluíndo polpas de fruta, que eu encaro como preciosidades dentro do meu congelador.
Semana passada, conheci uma menina peruana, muy buena onda, no metrô. Isso é raro, de gente aqui puxar papo no metrô: logo vi que não era argentina. Trocamos contatos e uns dois dias depois, sai com ela para andar de bicicleta. Foi genial! Nunca tinha andado de bicicleta aqui e em nenhuma cidade, para dizer a verdade. Fomos a um monte de lugares lindos - Bosques de Palermo, Rosedal e Bairro Chino - todos ainda desconhecidos para mim, e fiquei encantada: como Buenos Aires é uma cidade linda!
No sábado, dia 1 de mayo, teve um show gratuito de Caetano Veloso. Me juntei com um monte de brasileiros, mais um amigo da Dinamarca e fomos todos ver " el bahiano más querido". Estava mega lotado e aconteceu uma coisa rara, um exemplo legítimo da falta de trato dos argentinos (das mulheres, sobretudo). Queríamos passar de um lado ao outro, mas havia um monte de gente sentada. Daí, quando fomos passar, um velha com cara de anos 80 mal vividos começou a estressar, a falar que ela já estava ali, que a gente tinha que dar a volta, blablabla, dai outra argentina começou a brigar com ela, ficou aquela baixaria porteña, e eu e meus amigos incrédulos olhando. Daí, tentamos passar e velha ficou histérica, falando horrores e eu não me aguentei: falei em bom e alto português que ela não merecia ver Caetano Veloso e que os argentinos tinham que aprender, com os brasileiros, a receber bem as pessoas. Que ela era uma grossa e mal educada, que não merecia ver nada do Brasil. Daí, ela começou a falar e eu me virei e dei língua geral pra ela, outros argentinos começaram a me apaludir, me apoiando, porque a louca simplesmente se sentiu dona de um espaço público! Fala sério. Minha brasilidade falou mais alto e, na verdade, já estou de saco cheio da falta de carinho e de alegria da maioria do povo argentino (digo maioria, porque há uma minoria super doce e amável).
Estou gostando muito de estar aqui. Tenho aprendido muito comigo mesma, a contar comigo e a estar bem, acima de tudo. Estou dando as mãos a uma Mariana diferente, ainda desconhecida para mim, mas que me acompanha e me faz feliz todos os dias.
Ah! Para vocês verem, logo quando eu cheguei ao meu novo bairro, vi, perto da minha casa, em muro que passo todos os dias, a seguinte frase: Mariana, te amo!
Agora estou assim: enamorada de Buenos Aires y, sobre todo, de mi.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
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Olá, não sei como achei seu blog, mas gostei!
ResponderExcluirExperiências cotidianas são bem interessantes!
Tenho um blog também, wwwolhonu.blogspot.com - o tal cotidiano!
Besos!