É engraçado, caos depois da chegada. Mas, é isso mesmo.
Como o blog está desatualizado, tenho que contar os ocorridos.
Cheguei na casa, quarto simpátiquinho, pessoas legais e... falta de luz. Chovia muito e faltou luz. Ok, deve voltar logo. Voltou só na segunda feira (e eu cheguei na sexta!). Buenos Aires ou onde o vento faz a curva? A luz voltou, tornou a faltar. E ficou assim, instável, até hj. Pra piorar, começou a faltar água. Como assim? Pra mim começou a ficar chato. As outras pessoas não estavam se incomodando muito. Em sua maioria, europeus que não gostam de tomar banho e que acham que estão vivendo uma aventura no terceiro mundo. Para mim, que nasci, cresci e sou uma terceiro mundista, me irritava a falta de ação dos europeus. Resolvi falar com Javier, o rapaz responsável pelo aluguel (que estavam me custando os olhos da cara!). Daí reuniu todo mundo e eu fquei como a porta voz da coisa toda. Perguntei da possibilidade de mudar pra outro apartamento dele. Ele nos falou que sim, mas que se pudéssemos esperar uns dois dias, para ver se as coisas mudavam, seria bom. Ok, vamos esperar, afinal, eu estava gostando do meu quarto, da casa e da localização de modo geral. Só que, no outro dia, ao invés de melhorar, piorou: faltou água!
Eu sou o tipo de pessoa que, sem água, não funciona. Não consigo sair de casa sem tomar banho. Posso até dormir depois de uma big noitada sem banho, se estiver muito cansada, mas começar o dia, só com banho. Fiquei puta da vida e ainda tive que ouvir de uma das francesas a seguinte frase: eu prefiro ficar sem água do que sem luz, por causa da internet e da televisão. O índio que habita meu corpo quase enfarta. Sério.
A água voltou, massa. E de noite, resolvi ducharme e... quede a água? Fiquei mais puta ainda. Resolvi que iria ligar para Javier no outro dia e que iria sair de lá. Pra mim, estava muito difícil viver os dias assim. Fora o fato de que eu já tinha passado o dia todo mandando mensagens para ele, pra tentar saber o que estava acontecendo, se ia demorar de voltar a água e tal e ele parou de me responder quando eu disse que queria sair de lá. Dale.
Hoje, pela manhã, liguei pra ele e lhe disse que estávamos sem água, que eu gostaria de conversar para saber o que poderia ser feito. Ele: ok, estou indo. Demorou umas duas horas pra chegar e mais uma hora pra vir falar comigo. E quase não vem, porque ele ia se mandar da casa se eu não o gritasse da varanda. (umdiadefúria).
Ele já chegou todo grosso: quem mais quer falar comigo? Eu, pacientemente: eu e as outras duas brasileiras. E começamos a falar, que estava ruim a situação, que sem água não dava, blablabla. Ele simplesmente disse que não podia fazer nada, que em Buenos Aires se vive assim, epa: mas como é que todo mundo que eu pergunto tem água e luz nas suas casas? Algo estranho no ar. Daí eu falei: isso não acontece no Brasil. Ele: Aqui é a Argentina (algo como: aqui é o fim do mundo). E foi super grosso, me chamou de mala onda (algo como uma pessoa nada gente boa), me disse que eu não tinha uma buena energia. Daí me deu raiva e falei: acho o mesmo de vc. E falei que iria no Consulado, falar sobre a situação e ele virou uma arara maradona: se vc for, não devolvo o seu dinheiro, eu estou sendo flexível com vc, etcsetcs). No final das contas, acertamos que eu pagaria os dias em que fiquei e o depósito (tipo uma caução), ele me devolveria a metade. Fiquei super indignada, mas não tinha mais jeito de discutir. Estava me sentindo mal e precisava sair.
Arrumei tudo e no final do dia fui pra um hostel em San Telmo. Um quarto bemmm mixuruca, feinho que só, mas pelo menos aqui tem água e luz. De todo modo, não quero ficar muito tempo aqui - paguei uma semana, então vou ter que correr esses dias pra achar algum canto pra mim.
Um horror. Senti uma imensa saudade da minha família e das caras conhecidas. É muito difícil estar só numa cidade que não se conhece nada, ou quase nada.
Mas, como diz a peixinha de nemo: continue nadando, continue nadando.
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e eu tava com vontade de ir pra bs as, se vacilar, eu estaria aí agora mesmo! mas é assim mesmo, eu trabalhei em hoteis lá em salvador e vi muitos hóspedes saírem felizes da vida dizendo que adoraram tudo, e outros que odiaram e que queriam até meter a porrada na gente... não desista não, essas experiências nos fortalecem! eu mesmo, tô na rússia e teve uma época que nem casa tinha pra ficar, ano novo mesmo, dormi 4 noites em 4 casas diferentes e foi muito divertido! tudo depende do modo como você vê as coisas. percebi que uma das maiores habilidades que se pode ter é a de criar suas próprias oportunidades...
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